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Liderança no Brasil: dados do ChatGPT vs. Hogan 

Recentemente, Roberto Affonso Santos, sócio-diretor da Ateliê RH, distribuidora oficial da Hogan Assessments no Brasil, compartilhou resultados do estudo “Personalidade dos Líderes Brasileiros” no podcast “The Science of Personality”, da própria Hogan.

O levantamento comparou dados obtidos pela Hogan  com textos gerados pelo ChatGPT 4.0 para descrever a personalidade dos gestores no Brasil, às características globais, levantando questões sobre os estereótipos que se assumem sobre os brasileiros. Vamos dar uma olhada.

Pesquisando a liderança no Brasil

Esse estudo se originou ao convergir dois pontos de vista: a atualização da norma global da Hogan Assessments em 2023, e a explosão de popularidade do ChatGPT nesse mesmo ano.

Para começar, Santos decidiu comparar dados sobre líderes brasileiros com as informações globais. “Encontrei mais divergência do que convergência”, afirma . Depois, o executivo focou nas características dos gestores locais. “Para a minha surpresa, a inteligência artificial trouxe uma lista de características sobre resiliência que ouvimos sobre pessoas de outros países”.

Os resultados apontam que o ChatGPT não é factual, já que os dados apresentados são baseados em informações desencontradas sobre estereótipos tipicamente brasileiros.

Características da personalidade de gestores brasileiros: ChatGPT vs. dados da Hogan

Grandes modelos de linguagem como o ChatGPT não são fontes confiáveis quando falamos sobre fatos conectados à personalidade de líderes brasileiros (ou qualquer outro grupo em questão). Insights sobre personalidade devem ter origem somente em dados validados.

ChatGPT: “Flexível e adaptável”

O ChatGPT descreveu a liderança do Brasil como flexível e adaptável a mudanças. As esferas econômica, social e política do Brasil podem ser imprevisíveis. Por isso, a descrição corresponde a uma percepção comum de que a liderança no país requer adaptação a ambientes em constante mutação. Mas “isso não foi confirmado pelos dados da Hogan”, afirma Santos.

As informações oriundas da Hogan Assessments descrevem os gestores brasileiros como seguidores de regras, conservadores, resistentes a mudanças, contrários a riscos e menos criativos em comparação com a média de outros países. Quando os dados não correspondem às nossas expectativas, primeiro avaliamos se as mesmas foram criadas com base em estereótipos. O que assumimos ou quais vieses influenciam o que esperamos? Podemos também explorar como os dados são tcomparados com outros fatos ao investigar os contrastes que podem afetar as nossas percepções. “Quando inserimos contrastes, enxergamos um pouco diferente”, afirma Ryne Sherman , PhD, e diretor da área de Ciências da Hogan.

Nesse caso, o ChatGPT é treinado por meio de textos publicados na internet – e estas fontes podem incluir (e de fato incluem) informações enviesadas. Em comparação, os dados da Hogan sobre líderes brasileiros são filtrados e comparados com os dados da personalidade de outros líderes por meio das regras globais da Hogan – um conjunto de informações que representa trabalhadores na idade adulta de todo o mundo, passando por todas as indústrias e dados demográficos. “Com a Hogan, chegamos ao núcleo das diferenças humanas”, aponta Santos.

ChatGPT: “Entusiasmados, apaixonados e carismáticos”

O ChatGPT também descreveu os líderes brasileiros como entusiasmados, apaixonados e carismáticos – características que tampouco estão alinhadas com dados da Hogan. “Nossos gestores são frequentemente descritos como extrovertidos, expressivos, charmosos, persuasivos e como pessoas que usam emoções para engajar os outros”, diz Roberto .

Já os dados da Hogan, ao comparar os brasileiros com lideranças do resto do mundo, mostra que somos menos participativos, sociáveis e extrovertidos. Globalmente, os gestores apresentaram mais traços carismáticos que podem gerar impactos interpessoais imediatos.

O Brasil não só possui um idioma diferente das outras nações sul-americanas, mas também possui muitas diferenças culturais que divergem de estereótipos. Generalizações sobre características de personalidade, como as geradas pelo ChatGPT, geralmente surgem de percepções sem fundamento de uma “personalidade nacional” quando, na verdade, há pouquíssimos dados para apoiar esses estereótipos.

Santos ilustra na prática como é possível cair em armadilhas ao assumir que todos os brasileiros estão em conformidade com o estereótipo latino-americano de paixão e charme. O diretor de recrutamento de uma multinacional entrevistou um candidato para um cargo de liderança no Brasil e inicialmente o rejeitou porque a pessoa pareceu não ter carisma.

“Existe uma expectativa de que os brasileiros devem ser expressivos, promover grande impacto e ter muito carisma”, afirma Santos. “Quando as características não transparecem, as pessoas ficam frustradas”, completa. Santos explicou ao diretor de recrutamento em questão que alguns brasileiros criam impacto com o tempo, não na primeira impressão. Tanto que, após uma segunda entrevista, o líder brasileiro foi contratado e se tornou vice-presidente da empresa.

Outras diferenças de personalidade entre diretores brasileiros

Quando comparados com gestores de outros países, os brasileiros pontuaram de forma diferente em três avaliações de personalidade do Hogan: o Inventário Hogan de Personalidade (HPI), o Inventário Hogan de Desafios (HDS) e o Inventário de Motivos, Valores e Preferências (MVPI).

Os brasileiros obtiveram pontuações mais baixas na escala do Hedonismo no MVPI, mas mais altas que a média global na Sensibilidade Interpessoal HPI e Ousadia HDS – e todos os resultados conflitam com a descrição apresentada pelo ChatGPT.

Menos hedonismo: os brasileiros possuem a reputação de amarem futebol, praias e festas, mas a sua pontuação em relação a essas características foi menor do que a média global.

Maior sensibilidade interpessoal: brasileiros tendem a possuir uma natureza mais relacionável e colaborativa, com boas habilidades de escuta, empatia e preocupação com os outros. As características, consideradas como pontos fortes, às vezes podem levar os profissionais a evitar confrontos, comunicação direta e conversas difíceis. “Tendemos a suavizar problemas para não magoar os outros”, observa Santos.

Muito arrogantes: mesmo sendo menos assertivos em seus cotidianos profissionais, os gestores brasileiros apresentaram uma pontuação mais alta que a média global na escala Arrogante do HDS. O HDS descreve os comportamentos descarriladores, que surgem durante momentos de stress ou complacência. Neste caso, uma pontuação alta nessa escala indica que uma pessoa pode parecer prepotente e apresentar excesso de confiança quando não se automonitora.

Evitando vieses nas decisões das pessoas

“O ChatGPT tende a se basear no senso comum, publicações da internet e estereótipos populares”, afirma Santos. “Se o ChatGPT fosse selecionar um candidato baseado no que assume sobre os líderes brasileiros, estaria suscetível a vieses semelhantes aos de um recrutador humano.

Comparar descrições geradas pela inteligência artificial com dados da Hogan Assessments revela as diferenças entre as percepções populares e a realidade dos dados científicos. Erros podem distanciar as pessoas de seus objetivos e gerar conflitos, o que demonstra o quão essenciais são as avaliações de personalidade precisas e confiáveis.

Simplificando: informações geradas pela inteligência artificial não substituem a ciência. “Eu tendo a confiar muito mais nas medidas objetivas, imparciais e cientificamente validadas da Hogan”, resume Santos.

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