Como lidar com o caos de um “chefe disruptivo”

Publicado originalmente no The Wall Street Journal

Considerar-se um “líder disruptivo” está em voga nos dias de hoje, sugerindo um estilo de gerenciamento arrojado, que dispara novas tendências e esmaga a concorrência.

Chefes disruptivos são charmosos e carismáticos. Mais de 35% dos graduandos deste ano querem trabalhar para um líder inspirador, e 16% querem entrar em uma empresa empreendedora que cresce rapidamente, de acordo com uma pesquisa recente com 53.237 estudantes da Universum, uma empresa de consultoria e de pesquisa de “employee branding”. O termo “disruptivo” se tornou sexy, tanto no mundo dos negócios, como no recrutamento de pessoal.

Mas alguns chefes disruptivos têm um lado sombrio – uma tendência a desencorajar a colaboração, reprimir a dissidência e enterrar as pessoas em um prazo absurdo após o outro. Como você evita ser esmagado quando trabalha para um trem em alta velocidade?

Os dois lados da moeda

Líderes disruptivos geralmente têm pontos fortes que atraem os gerentes e conselhos de administração, diz Scott Gregory, CEO da Hogan Assessments, líder em testes de personalidade para o mundo corporativo. Muitos são capazes de prometer grandes realizações e fazê-las acontecer. Eles mostram motivação, ambição e persistência diante dos desafios. “Esses personagens têm uma qualidade sedutora”, diz ele.

No entanto, sua autoconfiança às vezes se transforma em arrogância. E as mesmas características que os tornam atraentes também os impedem de colaborar com os outros. “Eles não são líderes de equipe. Eles são ousados, incríveis mas são “performers” individuais”, diz Gregory.

Para especialistas, esses gestores também são chamados de “furacões”,  por causa de seu impacto destrutivo. Devido a sua urgência para tomar decisões, eles interrompem e intimidam os subordinados, transmitindo falta de confiança.

Ao liderar uma empresa, esses líderes podem se focar em um único objetivo apenas e negligenciam outras necessidades. Um exemplo citado pelo jornal é o de um executivo de uma empresa que foi promovido porque sempre atingia suas metas de vendas. Em sua determinação para alcançar seus objetivos, ele negligenciava as necessidades de sua equipe, gritando com as pessoas, e deixando-as confusas, mas sempre batia suas metas.

Entretanto esse estilo gera insegurança psicológica na equipe que podem levar a problemas de saúde para as pessoas e, no longo prazo, para a saúde organizacional.

A crescente conscientização sobre este tema tem levantado perguntas sobre esse tipo de liderança disruptiva, mesmo no Vale do Silício, onde startups de grande sucesso criaram o famoso mantra “walk fast and break things”[em tradução livre, “ande rápido e quebre as coisas”]. Um estudo interno realizado por gerentes de recursos humanos no Google em 2015 descobriu que o atributo mais importante de equipes produtivas é a segurança psicológica. Para que as equipes atinjam seu pleno potencial, os membros devem ser capazes de assumir riscos sem se sentirem inseguros ou temer mostrar suas vulnerabilidades, descobriram os pesquisadores.

Estes dados estão levando a uma revisão da apologia deste estilo de liderança e assumir uma postura diferente, falando mais abertamente sobre seus erros e dificuldades.

Entretanto, para trabalhar com líderes disruptivos, é bom entender como lidar com eles. Geralmente, esses líderes não são abertos ao feedback e não gostam de ser contrariados. Por isso, os profissionais liderados por esses gestores precisam ser flexíveis para mudar de rumo rapidamente, pedir feedback sobre qual tarefa deve ser priorizada para evitar sobrecarga e, acima de tudo, não levar críticas ou outros comportamentos para o lado pessoal. Outro ponto é aprender com os traços positivos do “chefe furacão”, como autoconfiança e resiliência social. Tendo em mente como lidar com esse tipo de liderança, os pontos positivos, no final, poderão se sobrepor aos negativos.

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